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23 de abr. de 2017

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Olá! Gostaria de convidá-lo para acessar novos conteúdos que estão disponíveis no meu site: https://www.psisaber.com/

Lá você irá encontrar novos resumos e também  reflexões sobre como e para quê a Psicologia atua na sociedade, além de Inspirações e temáticas que envolvam processos de mudança e transformações sociais.
Espero você!

23 de mai. de 2014

Resumo - Caminhos e descaminhos da fala na clínica psicológica.

Livro
Fundamentos de Psicologia – Aconselhamento psicológico Numa Perspectiva Fenomenológica Existencial.
Autor(es)
MORATO, Henriette.
Capítulo XVIII
Caminhos e descaminhos da fala na clínica psicológica: uma perspectiva fenomenológica existencial.

1.    Introdução
·      O homem contemporâneo tem marcas que revelam quem ele é, como foi sua história, sua forma de estar no mundo, que desvelam (ao que esta disposto a ouvir), um arsenal de conhecimento que parece brotar da própria angústia, as dimensões do sofrimento e da fragilidade humana.
·      Este retrato do homem que se apresenta a clínica psicológica vem buscar uma imagem de si, ao tentar construir-se ou reconstruir-se à medida que participa da compreensão do seu existir.
·      Dimensão existencial do homem no mundo fenomenal:
a)    Dá acesso a singularidade;
b)    Permite abarcar a própria experiência como obra aberta;
c)    É autor e protagonista de sua própria história;
d)    Processo de descoberta da própria humanidade ao resgatar seu vivido.

2.    Metodologia
·      Perspectiva fenomenológica-existencial: procurando ir às próprias causas.
·      Sentido da fenomenologia: ver os fenômenos como eles se mostram, tal como se apresentam.
·      Registro de experiência: através da narrativa – uma forma artesanal de comunicação em que a experiência do narrador é a matéria prima a ser trabalhada – forma de construção da experiência e da memória, como de sedimentação e reconstrução do processo vivido.
·      Experiência e Narrativa: experiência se refere a uma elaboração do fluxo do vivido que ocorre pela consolidação e incorporação do singular e plural que compõe a vida do indivíduo, e a narrativa é a forma de expressar essa pluralidade de conteúdos, em constante mutação no tempo.
·      Compreensão e Interpretação: dimensões originárias de estar-no-mundo.
a)    Compreensão: o homem é compreensão, é abertura ao ser, no mundo, interpretando entes que se mostram e ele dentro do mundo.
b)    Interpretação: se funde a compreensão, que não é tomar conhecimento, mas elaborar as possibilidades projetadas na compreensão.

3.    Compreensão das entrevistas
·         Maneira como o homem se relaciona, o impede de dar sentido às coisas, possibilitando a construção de patologias, podendo impedir a sua liberdade e responsabilidade. Isentando-se de promover mudanças.
·         Cultura da máscara: manutenção de uma identidade social que o isenta de assumir a responsabilidade de buscar sua própria identidade, possibilitando a criação de um vazio existencial.
·         Quem entra em processo terapêutico corre o risco do enfrentamento ao se deparar com uma imagem de si até então “protegida” pelo medo de ser revelada.
·         A psicoterapia é um contexto significativo que acolhe o sujeito em sua diferença, ao mesmo tempo em que lhe devolve a responsabilidade e a liberdade de escolha.
·         Ao permitir me escutar, meu sentir tem a possibilidade de se expressar.
·         Cliente e terapeuta estabelecem uma relação de encontro de abertura de possibilidades, de contato direto entre mundos. A fala é dirigida a – ao ser tocado o cliente se despe, diz de si, dá-se a conhecer, pois é somente nessa fala, que o outro, a quem o terapeuta se dirige, que constitui como pessoa e não como uma esfera fictícia cujo fato de viver se reduz a ser escutado.
·         Busca-se na clínica a abertura do sujeito para regiões de si, a permissão para adentrar em seu ser e resgatar uma fala geradora de novas possibilidades, uma fala-atitude, mobilizadora, investigativa. Uma fala-peregrina, sempre à procura de compreender seu modo de ser e de se mostrar. Uma fala criadora e renovadora, uma fala própria e singular.
·         Falatório: falar sem necessariamente haver preocupação com a veracidade de um ponto de referência, pois o que faz sentido é “repetir e passar adiante a fala”. É impessoal, não se apropria, assim, corre o risco de fracassar, não assume a responsabilidades e elabora uma compreensibilidade indiferente, sem nada excluir, mas também sem nada autenticar.



Resumo - Terapia e a Era da Técnica

Livro
Os Dois Nascimentos do Homem: escritos sobre terapia e educação na era da técnica.
Autor(es)
POMPÉIA, João Augusto; SAPIENZA, Bile Tatit.
Capítulo 7
A Terapia e a Era da Técnica.

Página 123
Anotação: Daseinanalyse se preocupa com a cura?
·      Daseinanalyse não dá garantia de nenhum resultado, não visa à cura, e leva tempo.
·      Significa que ela não tem compromisso com nada? Para que ela serviria? Ela produz algum efeito? Quais critérios? Há como avaliar se a terapia produziu mudança?
·      Estas questões trazem sentido em nossa época – imersos no mundo da técnica.
·      A terapia Daseinanalítica não se encaixa nos parâmetros que vigoram neste nosso tempo = objetividade, pressa, controle.

Página 126
Anotação: Técnica não é um mero procedimento, mas uma burocratização da modernidade.
·         Técnica não é simplesmente sinônimo de procedimento, pois o procedimento pode ter características pessoais, um jeito próprio.
·         A técnica é impessoal, ela é autônoma com relação ao sujeito, pode ser usada por não importa quem, contanto que seja bem aprendida.
·         O que ela produz também deve servir para qualquer pessoa a quem se destina o produto.
·         O importante é que haja um objetivo bem definido e especificação dos meios e instrumentos.

Página 127
Anotação: Mundo Contemporâneo e Técnica / Terapia seguindo técnica.
·         A própria técnica gera mais técnica – de maneira autônoma.
·         Ela se impõe como aquilo que dá a cara do mundo contemporâneo.
·         É compreensível que a terapia seja vista e avaliada dessa mesma perspectiva, pelos mesmos parâmetros: precisão de objetivos, eficácia, rapidez, apresentação de resultados.

Página 130
Anotação: Quem domina a técnica elabora o diagnóstico? Na fenomenologia nós elaboramos o diagnóstico?
·         A pessoa ao chegar expressa o seu desejo de que o terapeuta seja capaz de livrá-la de alguma coisa que está atrapalhando e precisa ser extirpada de sua vida... e depressa!
·         Existe uma questão humana em jogo, cujo sentido mais amplo fica perdido na maneira como o mundo da técnica costuma aproximar o humano.

Página 131
Anotação: O que o terapeuta pode oferecer para o paciente?
·         O que o terapeuta pode é ter o compromisso de percorrer com o paciente um caminho em que, juntos, se aproximarão da história vivida por ele, dos seus modos de ser consigo mesmo e com os outros, dos seus planos de futuro, do que tem constituído a sua vida, incluindo aí aquilo pelo que ele procurou a terapia.
·         O terapeuta pode oferecer ao paciente é a parceria na procura pela verdade da história, da qual fazem parte o seu momento atual, o já vivido e o que está por vir, pois essa história está sempre em aberto e reúne sua realidade, sonhos, conquistas e perdas; história que é a sua identidade.
·         O tempo que durar essa procura poderá ser a oportunidade para que o paciente se dê conta de seu jeito de ser no mundo, para que ele amplie sua compreensão de si mesmo como alguém que tem responsabilidade pelo cuidado de sua vida, cuidado esse que abrange os outros e o mundo.
·         O terapeuta não sabe quanto tempo será necessário. Basta isso para vermos como essa concepção de terapia se afasta dos parâmetros do tempo da técnica.
Página 139
Anotação: Dasein existe para aquilo que silencia?
·         Mundo: horizonte de possibilidades de manifestação dos entes. O qual atualmente é configurado pela técnica.
·         Contudo, mesmo com essa configuração, mundo traz sempre consigo uma força de projeto, que jamais se resumem a uma possibilidade particular qualquer. Qualquer possibilidade particular encerra em si algo silenciado.
·         Embora o Dasein seja sempre enraizado em seu mundo fático e possa se perder nas referências cristalizadas do seu mundo cotidiano. Ele também pode ser sintonizado com o que está silenciado em seu mundo e que, ao mesmo tempo, espera para ser acordado.
·         O que silencia é aquilo que permanece retraído, encoberto (não como mera negação dos entes), mas no encobrimento, traz em si a possibilidade de que haja a abertura para a manifestação dos entes, para o mundo como horizonte.
·         Dasein: existe (ek-siste) aberto não só para o mundo como horizonte de tudo o que se manifesta, mas também para aquilo que se retrai, que se oculta e silencia.
·         Por isso apesar da exuberância gritante da técnica, há a possibilidade de prestarmos atenção e darmos ouvidos ao que silencia, ao que fica no encobrimento.